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Tenho R$ 15 mil e penso em investir R$ 10 mil em um fundo imobiliário. É uma boa ideia?

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“Tenho R$ 15 mil e penso em investir R$ 10 mil em fundo imobiliário na expectativa de ter uma renda mensal e ir aumentando os investimentos conforme aumento dos meus ganhos pessoais. Estou correto em investir apenas em um segmento?”

Renato Faraco, CFP®, responde:

Prezado leitor, parabéns pela iniciativa de poupar e investir pensando no médio e longo prazo. Ao planejar seus investimentos, você tem condições de montar uma carteira que lhe dê melhores rendimentos ao longo do tempo.

Para responder à sua pergunta, é importante verificar antes se você já possui uma “reserva de emergência”, isto é, uma reserva financeira para eventuais imprevistos, que cubra seus gastos mensais por um prazo de 6 a 12 meses. Esta reserva deve estar aplicada em investimentos de baixo risco e boa liquidez, tais como Tesouro Selic, Fundos DI, LCI e CDB com liquidez.

Outra questão importante é definir seu objetivo com este investimento e por quanto tempo você deseja manter os seus recursos investidos.

Resolvidas as questões acima, o passo seguinte é avaliar o seu “perfil de investidor”, ou seja, se você é mais conservador, moderado ou agressivo em seus investimentos. Investidores conservadores preferem aplicações com baixa ou nenhuma volatilidade e, na outra ponta, investidores agressivos aceitam assumir mais riscos se o investimento tiver potencial (sem garantia) de gerar maiores resultados no médio ou longo prazo. Considere que sua reserva de emergência certamente fará parte da parcela destinada aos seus investimentos de baixo risco.

Ao investir em uma instituição financeira, você deverá preencher um questionário chamado Perfil do Investidor (API), que indicará qual é o seu perfil de investimento.

Observadas estas orientações, vamos aos fundos imobiliários: são investimentos classificados como renda variável, ou seja, o retorno do capital investido não pode ser dimensionado no momento da aplicação, podendo variar positiva ou negativamente ao longo do tempo, de acordo com seu desempenho no mercado (perfil de risco alto). Por outro lado, são uma boa opção a quem deseja investir no segmento imobiliário, mas não quer ou não tem recursos suficientes para comprar um imóvel. Da renda apurada mensalmente em cada fundo, deduzem-se as despesas e 95% do resultado apurado é distribuído aos cotistas sob a forma de dividendos.

Ou seja, desde que a alocação de seus investimentos em renda variável esteja alinhada ao seu perfil de risco, e formada uma reserva de emergência (desejável), fundos imobiliários podem ser o destino principal de suas aplicações nesta classe de ativos (alto risco). Todavia, avalie se concentrar seus investimentos de risco em um único segmento é sua melhor opção. Em momentos desfavoráveis de mercado, o impacto negativo em sua carteira de investimentos tenderá a ser maior do que em uma estratégia de diversificação de ativos.

Se o seu desejo é ter uma renda mensal com estes investimentos, considere também outras possibilidades de investimentos tais como o Tesouro IPCA com Juros Semestrais (Tesouro Direto), título público corrigido pelo IPCA e que paga semestralmente ao investidor a parcela de juros do título aplicado (deduzindo o IR), e ações negociadas em Bolsa (B3) que sejam boas pagadoras de dividendos, algumas delas com distribuição mensal.

E uma dica importante: conheça bem o investimento em que você pretende aplicar, suas características e riscos (principalmente aqueles classificados como médio ou alto risco). No seu caso, esta dica pode lhe ajudar a escolher os melhores ativos e o momento certo de realizar novas aplicações.

A seguir, vamos apresentar de forma resumida algumas características e riscos dos fundos imobiliários para orientar você no estudo desta modalidade de investimento.

Tipos de Fundos Imobiliários: Renda / Títulos / Empreendimentos / Fundo de Fundos

Principais vantagens: baixo valor inicial, facilidade, isenção de imposto de renda sobre os dividendos (atualmente) e rendimento regular.

Tributação: os dividendos atualmente são isentos de imposto de renda para pessoa física desde que o fundo tenha pelo menos 50 cotistas e nenhum destes detenha mais de 10% de suas cotas. Sobre a valorização positiva do valor da cota (valorização nominal), quando de sua venda, incide imposto de renda de 20%.

Desvantagens: podem ter baixa liquidez e maior tributação sobre ganho de capital (20% contra 15% nas demais modalidades de investimento).

Riscos: de gestão (má administração do fundo pela gestora), de crédito dos títulos imobiliários, de perda de rendimentos no caso de inadimplência, vacância, ou desvalorização dos imóveis, além dos riscos de mercado (por exemplo, alta dos juros), fiscais (aumento de tributação) e legais (mudanças na legislação), entre outros riscos possíveis.

Por fim, após estudar bem esta modalidade, selecione de 8 a 10 fundos para você investir, minimizando o risco de concentrar o investimento em apenas 1 ou 2 fundos, acompanhe sua evolução e vá montando sua carteira de fundos imobiliários gradualmente à medida que você disponha de novos recursos para investir.

E boa sorte!

Renato Faraco é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. E-mail: r-faraco@uol.com.br.

As respostas refletem as opiniões do autor, e não do site EpocaNegocios.globo.com ou da Planejar. O site e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.

Texto publicado no site Época Negócios em 05 de fevereiro de 2019